sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Quando eu era adolescente morador nascido na cidade do Rio de Janeiro já tinha uma consciência social bastante apurada, até porque na minha província com status de metrópole e alma de quintal, depois de uma hora da manhã todos os gatos e cachorros realmente eram e são pardos.

Pois as viaturas sempre chegaram devagar
E de repente, de repente resolviam me parar
Um dos caras saiam de lá de dentro
Já dizendo:- ai compadre, cê perdeu
Se eu tiver que procurar cê ta fodido
Acho melhor cê i deixando esse flagrante comigo

No início eram três, depois vieram mais quatro Agora eram sete, os samurais da extorsão Vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso Cheirando a minha mão

De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição

E eu ainda tentei argumentar
Mas, tapa na cara pra me desmoralizar
Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda
Porque os cavalos corredores ainda estão na banca
Nesta cruzada de noite, encruzilhada
Arriscando a palavra democrata
Como um santo graal
Na mão errada dos hômi
Carregada em devoção

É e sempre será o legado da ditadura, do forte oprimindo o fraco

do lixo varrendo as ruas e se sentindo o gari iluminado

o detentor da autoridade e da verdade suprema...

O cano do fuzil, que defende
também Reflete o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
(No fundo querendo estar)
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Nem que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito

(Mas nesta hora) só tem (sangue quente)
Quem tem (costa quente)
Só costa quente, pois nem sempre é inteligente
Peitar um fardado alucinado (muitas vezes viciado)
Que te agride e ofende (pra te levar)
Pra te levar alguns trocados

Era só mais uma dura(no nordeste o baculejo)
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua

Que julga, condena e executa...

mal sabendo que fazem parte
do grande plano da casa grande
onde os escravos açoitam irmãos
e subjulgam iguais...

Hoje aos quarenta
do lado certo ou errado da força
me vejo julgando e condenando e executando iguais.

filhos dos amigos meus
irmãos da mesma raça
senhores de coisa nehuma
enteados da violência
que vivi e ajudei a fazer crescer.

Um comentário:

Leidinha disse...

É a PURA realidade. Simplesmente MARAVILHOSO. Xero